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Fatores de crescimento na cicatrização de feridas

Fatores de crescimento são proteínas sinalizadoras que coordenam cada fase da cicatrização, da hemostasia à remodelação. Entender quem os produz, quando e em que ambiente é a base científica das terapias com plasma, fibrina e exossomos.

Por Dra. Vânia Declair Cohen, CRM/SP 260848. Publicado em .

Plasma gel saindo de seringa sobre placa de vidro em bancada de laboratório

Em 1999, publiquei na Ostomy Wound Management uma revisão sobre a importância dos fatores de crescimento na cicatrização de feridas [1]. Na época, o tema ainda parecia distante do consultório. Hoje ele está no centro de quase tudo o que ensinamos no Instituto: plasma rico em plaquetas, membranas de fibrina, fibroblastos e exossomos dependem da mesma biologia.

O que são fatores de crescimento

Fatores de crescimento são proteínas sinalizadoras. Uma célula libera, outra recebe por meio de receptores na sua superfície, e a mensagem muda o comportamento de quem a recebeu: migrar, multiplicar, diferenciar ou produzir matriz [3].

Na pele, os mais estudados são o PDGF (derivado de plaquetas), o TGF-β, o VEGF, o EGF e os FGF. Nenhum deles age sozinho. O efeito depende da concentração, do momento e do ambiente da ferida [4].

As quatro fases e quem comanda cada uma

A cicatrização é descrita em fases que se sobrepõem [5]:

  1. Hemostasia. As plaquetas formam o tampão e liberam o primeiro pulso de sinalizadores, como PDGF e TGF-β, a partir dos seus grânulos.
  2. Inflamação. Neutrófilos e macrófagos limpam a ferida. Os macrófagos passam a produzir fatores que convocam a fase seguinte.
  3. Proliferação. Fibroblastos produzem colágeno, novos vasos se formam sob estímulo do VEGF e as células da epiderme migram para fechar a superfície.
  4. Remodelação. A matriz é reorganizada ao longo de meses e a cicatriz ganha resistência.

Por que algumas feridas não fecham

Em feridas crônicas, como as úlceras por pressão e as do pé diabético, a sequência trava. A inflamação se prolonga, enzimas degradam os próprios fatores de crescimento e as células perdem a capacidade de responder [4][6].

Foi esse o problema que orientou minha pesquisa desde o início. Antes dos fatores de crescimento, estudamos o papel dos lipídios de uso tópico, como os ácidos graxos essenciais, na proteção da pele contra lesões por pressão [2]. As duas linhas se encontram em um ponto: o tecido precisa de um ambiente que permita ao reparo acontecer.

Do laboratório às terapias atuais

A observação de que as plaquetas são uma fonte concentrada de fatores de crescimento levou ao desenvolvimento dos concentrados autólogos. Centrifugando o sangue do próprio paciente, obtém-se plasma rico em plaquetas (PRP) ou fibrina rica em plaquetas (PRF), que liberam esses sinalizadores no local de aplicação.

O passo seguinte da pesquisa olha para as células que respondem aos sinais e para as mensagens que elas trocam. Fibroblastos são os produtores de colágeno da derme. Exossomos são vesículas que as células liberam carregando proteínas e RNA, e são estudados como uma forma de modular o reparo sem transferir a célula inteira [6].

O que isso muda na formação do profissional

Para quem vai trabalhar com essas terapias, a biologia não é teoria de fundo. Ela define a indicação, o preparo, o momento da aplicação e a forma de ler um estudo com espírito crítico. Também define os limites: a resposta de cada paciente depende do tecido, da doença de base e de muitos fatores que nenhuma técnica controla sozinha.

É por isso que nossos cursos começam pela biologia do reparo antes de chegar à bancada, e é por isso que as normas da Anvisa e dos conselhos profissionais fazem parte do conteúdo.

Referências

  1. Declair V. The importance of growth factors in wound healing. Ostomy Wound Manage. 1999;45(4):64-80. PMID 10347511
  2. Declair V. The usefulness of topical application of essential fatty acids (EFA) to prevent pressure ulcers. Ostomy Wound Manage. 1997;43(5):48-54. PMID 9233238
  3. Werner S, Grose R. Regulation of wound healing by growth factors and cytokines. Physiol Rev. 2003;83(3):835-870. DOI 10.1152/physrev.2003.83.3.835
  4. Barrientos S, Stojadinovic O, Golinko MS, Brem H, Tomic-Canic M. Growth factors and cytokines in wound healing. Wound Repair Regen. 2008;16(5):585-601. DOI 10.1111/j.1524-475X.2008.00410.x
  5. Gurtner GC, Werner S, Barrandon Y, Longaker MT. Wound repair and regeneration. Nature. 2008;453(7193):314-321. DOI 10.1038/nature07039
  6. Eming SA, Martin P, Tomic-Canic M. Wound repair and regeneration: mechanisms, signaling, and translation. Sci Transl Med. 2014;6(265):265sr6. DOI 10.1126/scitranslmed.3009337

Conteúdo educacional destinado a profissionais da saúde. Não substitui avaliação clínica individual.

Perguntas frequentes

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O que são fatores de crescimento?

São proteínas que as células usam para se comunicar. Na cicatrização, elas indicam quando migrar, multiplicar, formar vasos e produzir colágeno.

De onde vêm os fatores de crescimento usados nas terapias autólogas?

Principalmente das plaquetas do próprio paciente, concentradas por centrifugação em preparados como o PRP e a fibrina rica em plaquetas.

Qual a relação entre fatores de crescimento e exossomos?

Exossomos são vesículas liberadas pelas células que transportam proteínas, incluindo sinalizadores do reparo, e RNA. A pesquisa atual investiga como eles modulam esse mesmo processo.

Estude o tema com a Dra. Vânia

Fatores de crescimento, plasma, fibrina e exossomos são conteúdo das imersões e da pós-graduação.